Introdução à Neuroética


Diferentes métodos de monitoramento da atividade neurofisiológica fomentam discussões sobre Neuroética

"A neuroética é relevante porque os recentes avanços na neurociência exigem respostas a dilemas que são essencialmente éticos. Por exemplo, um profissional de saúde deve divulgar um diagnóstico de doença de Alzheimer a pessoas assintomáticas ou pacientes com sintomas mínimos? Em que ponto o tratamento médico padrão ou paliativo de pacientes com doença neurológica avançada deve ser interrompido? Como deve ser abordado o problema do estigma social de indivíduos com comprometimento neurológico? É moralmente aceitável usar estimulantes cognitivos para se preparar para avaliações acadêmicas e relacionadas ao trabalho? Estas e outras questões exigem respostas que sejam moralmente justificáveis. O estudo da neuroética é particularmente importante para tomar decisões cada vez melhores no que se refere ao diagnóstico e ao tratamento de doenças neurológicas e psiquiátricas, permitindo que pacientes e famílias guiem o curso de seu próprio tratamento. Auxilia na formulação de políticas públicas em relação a questões de saúde e educação"

(Trecho retirado do artigo Neuroética: a institucionalização da ética na neurociência, escrito pelo doutor Amer Cavalheiro Hamdan, da universidade federal do Paraná, publicado pela Revista Bioética)


CIÊNCIA DO CÉREBRO E O SELF
   
Implicada nas discussões sobre liberdade humana e responsabilidade, bases neurais da personalidade e comportamento social, tomada de decisões e consciência. Aqui percebe-se como o entendimento da mente e do comportamento como produtos do funcionamento cerebral influencia questões éticas de responsabilidade social, livre arbítrio e tomada de decisão, a partir do momento em que se entende o cérebro como o determinante do comportamento e da cognição, faz-se necessário abrir uma discussão sobre até que ponto nossas escolhas são uma consequência de todo o condicionamento que sofremos durante nossas vidas, de toda influencia, seja ela externa ou interna.


CIÊNCIA DO CÉREBRO E POLÍTICA SOCIAL
   
Inclui questões de responsabilidade pessoal e criminal, relações com a educação, previsão de patologias. Esta sessão é responsável por discutir as fronteiras do “normal” e o “patológico” definindo parâmetros para o desenvolvimento, a nível social/coletivo, de novas definições. Para além da quebra de paradigmas que as neurociências promovem, faz-se necessário a definição de novas diretrizes sobre como elas seriam usadas e traduzidas para a prática.


ÉTICA E PRÁTICA DAS CIÊNCIAS DO CÉREBRO
   
Abrangendo temas de farmacoterapia, cirurgia, células tronco, terapia genética, Neuropróteses e parâmetros para orientar a pesquisa e o tratamento. Nesta sessão discute-se como o avanço das ciências do cérebro acaba gerando dilemas éticos em relação a aplicação prática desses conhecimentos, também diz respeito a discussões sobre a eficácia de novas formas de tratamento para distúrbios neurológicos e psiquiátricos. Aqui a Neuroética desempenha o papel de definir em quais condições essa prática ao indivíduo ou a sociedade.


CIÊNCIA DO CÉREBRO E O DISCURSO PÚBLICO
   
Incluindo o desenvolvimento de um discurso público amplo e informado, orientação dos jovens trainees e a promoção da compreensão e da comunicação responsável dos conhecimentos na mídia. Aqui devemos destacar a importância de não deixar o conhecimento cientifico preso ao ambiente acadêmico, mas divulga-lo e aplica-lo da melhor forma possível, com o objetivo de trazer contribuições significativas para a sociedade. Para além da aplicação pratica da ciência, podemos destacar a importância da divulgação cientifica, onde tratamos esse conhecimento como mecanismo de transformação social.



REFERÊNCIAS


HAMDAN, Amer Cavalheiro. Neuroética: a institucionalização da ética na neurociência. Rev. Bioét.,  Brasília ,  v. 25, n. 2, p. 275-281,  Aug.  2017.
    Marcus SJ, editor. Neuroethics: mapping the field conference proceedings; 2002 13-14 May; San Francisco. New York: Dana Foundation Press; 2004.


    Aspectos históricos da Neuropsicologia




    Em meados de século XIX, o Egiptólogo Norte-Americano Edwin Smith descobriu o que consta, até o momento, como os registros mais antigos sobre o Sistema Nervoso. O documento foi escrito a cerca de 1700 a.C., supõe-se que foi escrito pelo médico egípcio Inhotep, mas admite-se que ele se baseie em textos mais antigos, provavelmente do Antigo Império (Cerca de 3000 a.C.).

    BERNARDES DE OLIVEIRA (1981) apud PINHEIRO (2005) afirma:

    “Esse papiro é um verdadeiro tratado de cirurgia e contém a descrição clínica detalhada de pelo menos 48 casos com os respectivos tratamentos racionais e prognósticos (favorável, incerto e desfavorável). Vários desses casos são importantes para a neurociência, pois neles se discute o encéfalo (o termo aparece pela primeira vez neste documento), as meninges, o líquor, e a medula espinhal. O papiro Edwin Smith, contudo, constitui exceção. No cômputo geral, ainda por mais de dois mil anos, as concepções médico-filosóficas giraram em torno do empirismo e do sobrenatural”

    Na Grécia Antiga havia uma dicotomia, cuja discussão se baseava em duas principais linhas de pensamento. Nomes como Pitágoras (que afirmava que a mente estava situado no encéfalo, enquanto a alma e as sensações se localizavam no coração), Alcmeon, Hipócrates e Platão admitiam o encéfalo como centro das funções mentais, fomentando a hipótese cerebral, antagonizada pela hipótese cardíaca, defendida principalmente por Aristóteles, que acreditava que o encéfalo era responsável por refrigerar o corpo e a alma.


    Aristóteles | 384 a.C. - 322 a.C. 

    A partir do período pré-medieval os estudos de Galeno (Médico Romano | 130-203) se instauram como a principal explicação para as funções mentais e o comportamento, tendo influenciado toda a Idade Média. Galeno estudou a anatomia do cérebro e o dividiu em duas partes: uma anterior, chamada Cerebrum e uma posterior, chamda Cerebellum. Na descrição de Galeno funções como sensações, memória estavam relacionadas ao cerebrum, enquanto funções como o controle dos músculos estavam ligadas com o cerebellum. Pinheiro (2005) afirma que na visão de Galeno os nervos eram condutos que levavam líquidos vitais ou humores, permitindo que as sensações fossem registradas e os movimentos iniciados.

    O conhecimento em medicina, na relação saúde-doença e nas bases dos processos mentais e do comportamento durante a idade média foi marcada pelo obscurantismo e por ideias enviesadas pelo zeitgeist teocêntrico que mercava a cultura pelos tempos que se seguiram. Pinheiro (2005) afirma que a partir da morte de Galeno, o conhecimento médico sofreu um processo de decadência qualitativa e quantitativa. A partir desta decadência a doutrina cristã, de que o corpo tinha pouca ou nenhuma importância em comparação com a alma em relação aos processos mentais e ao comportamento, perdurou por um longo tempo.

    O pensamento médico ocidental durante a Idade Média tentou ajustar as descobertas biológicas e médicas de Galeno (e outros pensadores, mas principalmente Galeno), aos ideais da Igreja. A partir dos estudos de Galeno sobre os ventrículos cerebrais, assimiladas pela igreja católica, nasceu a Doutrina ventricular, uma explicação baseada no princípio clérigo de que o corpo é mundano e que apenas o liquido armazenado entre a matéria impura do cérebro poderia representar a pureza da alma. A partir das descrições de Galeno, que descreve os ventrículos como formados por 3 câmaras, a igreja ajusta essas explicações como representantes da Santíssima Trindade, adequando-se ao sentimento religioso em vigor. 

    A Doutrina Ventricular perdurou durante séculos, como a melhor maneira de explicar as funções mentais e o comportamento, mas a partir da segunda metade do século XVII e início do século XVIII um novo problema fomentava discussões, tratava-se da discussão mente x cérebro. A partir dessas discussões surgiam interpretações e explicações, contudo, destaca-se aqui a ideia de René Descartes, que admitia que a alma (res cogitans) era uma entidade livre, não substantiva, imaterial, enquanto o corpo era considera uma parte mecânica, material. Na concepção de Descartes a alma transcende o corpo e este é matéria dotada de movimento, como uma máquina, embora diferentes, estas duas partes interagiam por meio da glândula pineal (PINHEIRO, 2005, p.182).


    René Descartes | 1596 - 1650 

    A partir do Século XIX as ideias fortemente defendidas pela igreja começavam a perder forças, com o nascimento da biologia e o advento de explicações naturalistas, a mente humana começa a perder forças enquanto um atributo supremo e divino, o ser humano descobre não ser tão especial quanto pensa. Neste período podemos destacas os estudos de Franz Gall, que acreditava na ideia de que diferentes funções mentais estavam alojadas em diferentes porções do córtex, áreas anatomicamente distintas. Gall acreditava que o cérebro era na verdade um conjunto de órgão separados, cada um dos quais controlava uma “faculdade” inata separada, a partir dessas ideias nasce a frenologia. 

    Gall postulou, inicialmente, 27 diferentes áreas no cérebro, numero esse que foi atualizado por seu próprio discípulo. Para Gall o desenvolvimento de uma aptidão especificamente localizada era responsável por causar uma hipertrofia na zona cortical correspondente, essa hipertrofia exercia pressão sobre o crânio, causando uma elevação. Em contrapartida, aptidões poucos desenvolvidas causariam uma depressão na superfície craniana. As ideias de Franz Gall deram início a corrente Localizacionista. Apesar de controvérsias quanto aos métodos da frenologia, considerado anticientífico, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel (2008), acredita que os experimentos realizados pelos adeptos da frenologia marcaram o início da neurociência experimental. 



    Representação da divisão do Córtex segundo a Frenologia 


    Foi também no Séc. XIX que nasceu a Neuropsicologia da Linguagem (é importante destacar que é possível encontrar, na literatura, relatos de milhares de anos atrás, mas foi no séc. XIX que as correlações anátomo-clinicas entre lesões e patologias tornaram-se importantes), a partir dos estudos de Paul Broca e Carl Wernicke. 

    Em 1865, baseando-se em vários estudos anatomo-patológicos feitos com pacientes, Broca estabeleceu uma sede para a expressão da Linguagem, localizada no hemisfério esquerdo do lobo frontal, na parte posterior da terceira circunvolução (Área de Broca). Broca fez suas descobertas a partir de pacientes afásicos, sujeitos com severas dificuldades na expressão da linguagem, no post mortem Broca abria seus crânios e percebia danos na área do encéfalo anteriormente citada, possibilitando inferir uma correlação Lesão-Sintoma. Wernicke, por outro lado, estudou pacientes com dificuldades na compreensão da linguagem, descobriu que lesões no terço posterior do giro temporal superior esquerdo (hoje conhecida como área de Wernicke), causava essas dificuldades. Carl Wernicke também foi o primeiro a descrever um modelo cientifico para o processamento da Linguagem, posteriormente expandido e renomeado de Modelo Wernicke-Geschwind.

    Por fim, cabe mencionar ir as descobertas do histologista Santiago Ramon y Cajal e do médico Italiano Camillo Golgi, que descreveram em detalhes a estrutura das células nervosas, dando inicio a Doutrina Neuronal. 

    Engelhardt, Rozenthal e Laks (1995) apud Pinheiros (2005) afirmam que a Neuropsicologia moderna começa com Karl Spencer Lashley, Aleksandr Romanovitch Luria e Donald Olding Hebb. 

    Em 1949 Hebb propôs uma teoria de funcionamento do córtex cerebral a partir de conexões neuronais modificáveis, ou seja, cujas possibilidades de conexão de umas com as outras são múltiplas, admitindo que a transmissão de mensagens entre neurônios pode ser regulada, modulável conforme as circunstâncias. 

    Já os trabalhos experimentais de Lashley sugeriam fortemente que as funções cerebrais requeririam a participação de grandes massas cerebrais de tecido nervoso, o que diminui a importância dos neurônios individuais ou das conexões neuronais especificas, funcionalmente especializadas. 

    Luria investigou as funções mentais superiores nas suas relações com os mecanismos cerebrais e desenvolveu a noção do sistema nervoso funcionando como um todo, considerando o ambiente social como determinante fundamental dos sistemas funcionais responsáveis pelo comportamento humano. Enquanto sistema dinâmico, o cérebro luriano é constituído de três unidades funcionais básicas cuja participação é necessária para qualquer tipo de atividade mental. 

    Primeira Unidade: Regula o estado do córtex cerebral, alterando seu tono e mantendo o estado de vigília (formação reticular); 
    Segunda Unidade: Tem como função primária receber, analisar e armazenar informações, e inclui regiões visuais, auditivas e sensorial geral do córtex cerebral. 
    Terceira Unidade: Elabora os programas de comportamento, responde pela sua realização e participa do controle de sua execução (inclui estruturas localizadas nas regiões anteriores, frontais ou pré-frontais, dos hemisférios cerebrais). 

    A obra de Luria tem subsidiado boa parte dos estudos neuropsicológicos realizados atualmente.


    As três unidades funcionais descritas por Luria 


    A partir da segunda metade do séc. XX, a neuropsicologia firmou-se efetivamente enquanto área de estudo, e embora a linguagem tenha sido amplamente investigada, diversos temas tem sido enfatizados nos últimos anos, tais como: A atenção, a percepção visual e auditiva, e a memória. 

    Hoje as neurociências de uma forma geral contam com inúmeras técnicas de observação do cérebro e de sua atividade: Tomografia computadorizada, Ressonância Magnética e Tomografia por emissão de pósitrons. Além de ferramentas de neuroimagem é possível contar com o aperfeiçoamento dos instrumentos de avaliação neuropsicológicas e o desenvolvimento de métodos de intervenção e reabilitação neuropsicológica.

    Sabemos hoje que diferentes regiões não funcionam isoladamente, mas apresentam alto grau de interação, ou seja, não há função pura, mas uma combinação bastante complexa de ações psicológicas e fisiológicas em cada comportamento realizado pelo ser humano.







    REFERÊNCIAS


    ENGELHARDT, E. Z.; ROZENTHAL, M.; LAKS, J. Neuropsicologia II - história. Revista Brasileira de Neurologia, Rio de Janeiro, v. 31, n. 2, p. 107-113, mar./abr. 1995.



    HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Uma breve história da relação entre o cérebro e a mente. LENT, Roberto. Neurociência: da mente e do comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.



    PINHEIRO, Marta. Aspectos históricos da neuropsicologia: subsídios para a formação de educadores. Educar em Revista, n. 25, p. 175-196, 2005.

    História da Neurociência

    Galeno de Pérgamo | Fonte: Wikipédia

    Ao mapear as origens e o desenvolvimento de estudos relacionados ao cérebro humano, é possível estabelecer a origem dos estudos anatômicos do cérebro  a partir do Século III a.C. quando Herófilo e Erasístrato, através da dissecação de cadáveres, conseguiram as primeiras descrições do cérebro humano - principalmente dos Ventrículos Cerebrais. Por volta de 130-200 d.C. Galeno, histórico médico romano, acreditava que os Ventrículos Cerebrais armazenavam os espíritos animais, apesar de atribuir funções, tais como: Imaginação, intelecto e memória a matéria cerebral. Galeno argumentava que as funções mentais podiam ser afetadas separadamente por diferentes lesões e doenças.

    Ilustração do terceiro ventrículo | Fonte: Kenhub

    Por volta do Século IV d.C. a chamada Doutrina Ventricular se estabelece como a principal explicação para as funções mentais. A partir da divisão dos Ventrículos em três câmaras no centro do cérebro, Nemésio de Emesa estabeleceu que era possível localizar nos Ventrículos anteriores, mais próximos dos órgãos dos sentidos da face e das mãos, a percepção. A cognição podia ser localizada no Ventrículo mediano e a memória no Ventrículo posterior.

    Leonardo da Vinci foi o precursor de uma concepção mais realista da estrutura dos Ventrículos, ele injetou cera liquida nos ventrículos de um cérebro bovino e removeu os tecidos ao redor após a cera endurecer, revelando uma estrutura ventricular muito diferente das representações feitas na época. Da Vinci não rejeitou a Doutrina Ventricular, apenas retificou sua anatomia.  

    Desenhos de Leonardo da Vinci | Fonte: Researchgate

    René Descartes acreditava que os espíritos animais, na forma de fluidos que circulavam pelo cérebro através dos nervos, levariam as informações até o local onde elas entrariam em contato com a res cogitans, imaterial. (Esse local era a glândula pineal, que para Descartes era a morada da alma).

    O rompimento com a Doutrina Ventricular - que durou mais de mil anos - começou com Thomas Willis, que escreveu Cerebri Anatomie em 1664, Willis rompe parcialmente com a Doutrina ventricular, pois em seu livro descreve que os Ventrículos cerebrais são uma consequência anatômica, resultado das dobras do cérebro. Diz-se que o rompimento foi parcial, pois apesar de localizar as funções mentais no córtex cerebral, Willis ainda atribuía aos Ventrículos cerebrais a função de formação e circulação dos espíritos animais.   

    No início do século XIX Franz Gall postula que o córtex cerebral é na verdade composto por uma série de regiões com diferentes funções, inicialmente dividiu em 27 áreas distintas e mais tarde Spurzheim expandiu para 35 regiões. O conjunto de ideias e métodos usados por Gall e seus discípulos chama-se frenologia, e deu inicio ao espirito localizacionista dentro das neurociências. A forma como Gall e seus discípulos avaliavam as funções mentais e suas respectivas localizações anatômicas no cérebro se dava através de protuberâncias no cranio dos indivíduos, seus métodos não eram confiáveis e acabaram por conferir um caráter pseudocientífico a frenologia.

    Divisão do Córtex de acordo com a Frenologia | Fonte: Google imagens

    A frenologia, apesar do caráter pseudocientífico, abriu as portas para o localizacionista, que partia da premissa de que áreas especificas do córtex eram responsáveis por funções mentais especificas. A grande revolução localizacionista nasceu com os estudos de Paul Broca e seus estudos com pacientes afásicos, Broca estudou pacientes com dificuldades na expressão da linguagem e percebeu, a partir de observações post mortem, lesões em comum numa região do lobo frontal que mais tarde ficaria conhecida como área de broca.

    Antes dos estudos de Santiago Ramón y Cajal trazerem a tona o fato de o sistema nervoso ser formado por pequenas células nervosas, chamadas de neurônios, a Teoria reticular era predominante, essa teoria dizia que o sistema nervoso era formado por um emaranhado único de massa uniforme. Ramón y Cajal propôs o que hoje é conhecido como Teoria Neuronal, que concebe o Sistema nervoso como um conjunto de células individuais, especializadas segundo região do cérebro, com espaços entre elas e citoarquiteturas diferentes.

    A partir do momento em que Ramón y Cajal estabelece a existência de áreas anatomicamente diferentes, é possível pressupor, também, diferenças funcionais. Korbinian Brodmann, assimilando as ideias de Santigo Ramón y Cajal, desenvolve um mapa citoarquitetônico dividido em 52 áreas distintas, correspondente a áreas funcionalmente diferentes (muitas dessas áreas são aceitas até hoje).

    Mapa citoarquitetônico proposto por Brodmann | Fonte: Google imagens

    Em 1870 Gustav Fritsch e Eduardo Hitzig demonstram a localização funcional dos movimentos através de estímulos eletrônicos aplicados em diferentes regiões do cérebro de um cão. Harvey Cushing observou que a estimulação do lobo parietal não provocava movimentos, mas sim sensações táteis. Os pesquisadores aqui mencionados foram pioneiros e embasaram estudos que objetivavam estabelecer uma divisão funcional do córtex cerebral.

    No século XX, estudos como os de Penfield, onde ele produzia sensações de cores, luzes, sons e movimentos percebidos como reais pelo paciente, o levaram a elaborar um novo esquema de localização as funções mentais no córtex. A partir do Século XX houveram grandes avanços no campo das neurociências, desde estudos sobre consciência até o desenvolvimento de técnicas de visualização do funcionamento cerebral. Essas técnicas se baseiam no aumento do consumo de oxigênio e de glicose por parte dos neurônios para mapear quais áreas estão mais ou menos ativas durante determinado momento. As neuroimagens tem mostrado que várias regiões do córtex são ativadas, além das áreas esperadas, o que indica que o funcionamento do cérebro envolve a coordenação de várias áreas trabalhando em conjunto.

    Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) | Fonte: Google imagens

    REFERÊNCIAS

    HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Uma breve história da relação entre o cérebro e a mente. LENT, Roberto. Neurociência: da mente e do comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

    Tratado de Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia - 1ª Ed. 2013 | Joaquim Pereira Brasil Neto e Osvaldo M. Takayanagui


    Primeira Obra inteiramente produzida pela Academia Brasileira de Neurologia e que apresenta todo o conteúdo referente a especialidade, em total sintonia com a realidade brasileira. Escrita pelos autores Joaquim Pereira Brasil Neto e Osvaldo M. Takayanagu, a obra reúne contribuições dos mais renomados médicos, pesquisadores e professores de Neurologia de conceituadas instituições universitárias e de saúde do Brasil.O Tratado de Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia é voltado para residentes e profissionais recém-formados que buscam obter o título de especialista na área. A obra também é a fonte de consulta para médicos especializados em neurologia, com textos claros e didáticos, dos conceitos básicos fundamentais, à prática neurológica de qualidade – sempre apoiados em evidências cientificas. O único livro de neurologia adaptado à realidade brasileira – com contribuições de neurologistas das diversas regiões do país – aborda em destaque assuntos como doenças infecciosas no sistema nervoso que têm incidência maior no Brasil e na América Latina e um capítulo sobre Acidente Vascular Cerebral, escrito por Dr. Noberto Cabral.

    Princípios de Neurociências - 5ª Ed. 2014 | Eric Kandel, James H. Schwartz e Colaboradores


    Decifrar a relação entre o encéfalo e o comportamento humano sempre foi um dos maiores desafios da ciência. Escrito por importantes pesquisadores da área, incluindo Eric R. Kandel, vencedor do Prêmio Nobel em 2000, este clássico absoluto apresenta uma visão atualizada da disciplina de neurociências, refletindo a pesquisa mais recente que transformou o conhecimento na última década.


    Cem Bilhões de Neurônios: Conceitos fundamentais em Neurociências - 2ª Ed. 2010 | Roberto Lent


    Neurociência, nos últimos dez anos transcorridos após a primeira edição, cativou publico amplos de não especialistas, além daqueles que, por força de suas profissões, utilizam conceitos desse campo multidisciplinar que dá conta das artimanhas de nosso cérebro médicos, psicólogos, fisioterapeutas,fonoaudiólogos, enfermeiros, biólogos, biomédicos, e tantos outros. Tão dinâmico se tornou esse ramo da Ciência, que me pregou uma peça e obrigou-me a adicionar um ponto de interrogação ao titulo. Você encontrará a explicação já no primeiro capitulo. Esta edição, como a primeira, traz uma abordagem geral e ampla da Neurociência.

    O erro de Descartes: Emoção, Razão e o Cérebro Humano - 1994 | António R. Damásio


    Para pensar bem e tomar decisões corretas é preciso manter a cabeça fria e afastar todos os sentimentos e emoções, certo? Errado. Neste livro surpreendente e polêmico, o neurologista António Damásio mostra como, na verdade, a ausência de emoção e sentimento pode destruir a racionalidade. Utilizando-se de inovadoras descobertas da neurobiologia, Damásio desafia os dualismos tradicionais do pensamento ocidental - mente e corpo, razão e emoção, explicações biológicas e explicações culturais - para oferecer uma visão científica e integrada do ser humano e sugerir hipóteses surpreendentes sobre o funcionamento do cérebro humano. 

    Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso 4ª Ed. 2017 | Mark F. Bear



    Aclamado por seu estilo claro e acessível, com ilustrações impecáveis e uma equipe de autores que é referência na área, esta 4ª edição de Neurociências: desvendando o sistema nervoso diferencia-se pela abordagem didática e inovadora no estudo das neurociências, enfatizando as bases biológicas do comportamento. Nos últimos anos, o campo das neurociências foi transformado pelo emprego de novas tecnologias e a explosão de conhecimentos que acumulamos sobre o encéfalo. O genoma humano foi sequenciado, novos e sofisticados métodos de engenharia genética foram desenvolvidos, e hoje temos uma visão muito mais elaborada do sistema nervoso em nível molecular. Também compreendemos melhor a base genética de diversas doenças neurológicas e psiquiátricas e surgiram novos métodos que permitem visualizar e estimular tipos específicos de células nervosas e suas conexões no encéfalo. Esta edição foi atualizada para refletir esses e outros novos desenvolvimentos instigantes, tornando-os acessíveis a todos os interessados neste campo.

    As Bases Biológicas do Comportamento - 1ª Ed. 2004 | Marcus L. Brandão



    Em 'Bases biológicas do comportamento', o autor aborda diversos tópicos da neurociência comportamental. 'Quais circuitos neurais são ativados?'; 'Que alterações químicas ou humorais ocorrem em no cérebro humano quando sente-se medo, dor ou prazer, ou ainda na memorização de uma informação?'; 'Como o cérebro se organizou, ao longo da escala evolutiva, para determinar o nível de consciência que o ser humano possuí?'; Essa obra busca trazer, dentro do contexto científico, respostas a essas e outras questões dessa natureza. Ao mesmo tempo destaca como foram feitas descobertas na área, a fim de suscitar a análise crítica do leitor.